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Amigos, que este sentimento de alegria pela perspectiva do recomeço acompanhe cada um por todo o ano.
Amem. Riam. Chorem. Alegrem-se. Fiquem tristes. Durmam. Acordem. Rezem bastante. Dancem com as pessoas! Faz parte de sermos humanos a oportunidade de superarmos nossas falhas, melhorarmos a cada ano e celebrarmos. Feliz 2009! Tatiana Mura e Susana Spago.
Pessoas têm a maravilhosa dádiva que é ouvir mas não escutam, colocando este fantástico dom a perder. Para “ouvir” os surdos, temos que treinar esta atenção consciente ou perderemos o que ele nos passa em Libras ou de outra forma. Alguns pontos de referência ajudarão você a desenvolver esta atenção cuidadosa ao que o outro nos diz., quer seja ele ouvinte ou surdo.
Olhe a pessoa que fala com você. Parece absurdo mas nem sempre olhamos quem se dirige a nós. Às vezes, estamos manuseando algo, escrevendo, acompanhando um movimento na sala em que estamos, enfim, tudo menos olhar a pessoa que nos fala. Esta é uma premissa de uma pessoa educada e, além disso, é uma forma de conectar-se com o interlocutor. Existe um exercício que realmente nos ajuda a controlar a distração da fala do outro. Quando estiver falando com alguém, em alguns momentos aleatórios, faça-se a pergunta: qual foi a frase que ele(a) falou agora? Você pode pensar que, ao falar isso, você se distrair mas não é verdade. A resposta vem praticamente instantânea. Mas, se você não estiver prestando atenção, o “susto” também é instantâneo. São as reações que o cérebro e a emoção tem perante as ações e reações nossas e do meio externo.
Exemplos podem ajudar a entender melhor. Considere duas situações: uma é do casal que está em meio de uma discussão sobre a relação deles e a esposa pergunta: “Você não se importa que me sinta assim?” e ele, numa tentativa rápida, responde: “Concordo querida”. Bem, o restante da história eu não preciso desenvolver. Outra situação é quando você está falando com uma pessoa e a mesma percebe que a sua atenção não está ali na conversa e pede: “Repete o que falei”. Outra catástrofe: surgem os “famosos gagos súbitos” e outras situações em conseqüência da desatenção que o ouvinte tem para com quem fala.
“Ouça” o jeito de falar da pessoa. A voz diz muito mas primeiro precisamos conhecer o falante: tem voz grossa (impressão de pessoa brava), fala alto (impressão de pessoa alterada), sua fala é lenta e baixa (impressão de desinteresse em falar ou se comunicar), fala rápida (dúvida no assunto que está falando ou pressa para se ver livre daquela conversa), e assim por diante podemos ter vários tipos e interpretações sobre a fala de uma pessoa se não conhecermos a sua forma de ser (personalidade). É óbvio que essa situação acontece com freqüência, quando temos o primeiro contato com a pessoa, porém isso não deveria acontecer no ambiente familiar social ou de trabalho. Ali, além de conhecermos a personalidade da pessoa, a convivência nos dá liberdade de em caso de dúvidas na interpretação perguntarmos sobre a intenção que a pessoa teve. E não é necessário haver confrontos para fazer essas perguntas, é apenas perguntar: “desculpa, não entendi o que você quis dizer” e pede para a pessoa repetir ou falar de outra forma que você entenda o que ela quer dizer.
Faça perguntas. A pergunta é uma dádiva que o ser humano tem para adquirir informações num grau de detalhamento bem profundo. Por isso nós nos perguntamos por que as pessoas não entendem umas às outras?.Por que simplesmente estão sem atenção ao outro e no que o outro tem falado com ele.
Reconheça a falha ou distração. Assumir para alguém, que não estávamos prestando atenção na sua fala, é uma coisa fácil ou confortável de fazer, porém assumir para si mesmo: “Puxa vida!, perdi a atenção, vou tentar retomar” e se apoiar na pergunta: “desculpe não entendi, pode repetir?” às vezes é mais difícil. Esta pergunta pode ser usada como desculpa para retomar a situação de uma forma sutil e educada, porém não se acomode…tente corrigir essa distração e busque compreender por que aquela pessoa não atrai sua atenção.
Ouça a mensagem do corpo. Falamos com a boca, mas o corpo faz a “tradução”. É a nossa “tecla sap”. É como se fosse uma confirmação daquilo que os nossos lábios estão externalizando. Interessante, né!Se pararmos para pensar, quem fala, deveria prestar tanta atenção no que diz, como quem está ouvindo. Mas nem sempre acontece. Imagine que estamos passando uma mensagem num momento de medo, insegurança, ou tristeza, no entanto não queremos revelar tal sentimento, ou mesmo não podemos. É importante, porém, que quem ouve saiba observar, para que não tenha impressões erradas sobre a mensagem.
Acelerando o passo. Muitas pessoas falam que tentar fazer “todas essas coisas” leva muito tempo, tempo este que não se tem. Porém eu pergunto, quando você começou a trabalhar, você consegui fazer as coisas rápido? você precisou se concentrar no assunto que estava aprendendo? Então… melhorar a qualidade da nossa comunicação vai levar o mesmo tempo. Existe um caminho rápido neste aprendizado. Tem a ver com o fato de que nos comunicamos não só com a boca, mas com o coração, raciocínio, pele, olhos. Pois quando usamos mais de um órgão para executar uma tarefa, não sobrecarregamos um órgão só e a quantidade de informações que temos é muito maior. E assim podemos buscar o sentido mais equilibrado daquilo que está sendo dito. Na verdade, o caminho rápido está em iniciar uma comunicação com uma atitude interior de respeito à dignidade do outro. A partir daí, rapidamente acertamos os caminhos da expressão verbal: corpo, olhos, mãos, tom de voz, porque estamos falando em espírito de verdade.
Susana Spago.
Jovens de 11 a 13 anos, de ambos os sexos, residentes na Argentina, Brasil (São Paulo e Salvador) e Paraguai, participaram de uma pesquisa feita pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância – ANDI sobre a mídia e deficiência, consideradas aí as deficiências intelectual (46,4%), visual (16,1%), auditiva (21,4%) e física (12,5%). Resultado? Eles não se vêem representados na mídia. Algumas citações a novelas são as poucas referências encontradas.
No entanto, não apenas a mídia não os retrata e nem reporta. Para que participassem da pesquisa, houve dificuldades, desde “casos de instituições que apontaram seus alunos como incapazes de participar de uma pesquisa com tais características a pais e mães excessivamente preocupados com a atividade, já que seus filhos jamais haviam sido convidados a integrar um evento público como este.”. Como reportou a pesquisa, “de maneira geral, os empecilhos apresentados parecem fortemente conectados a um triângulo comum: a invisibilidade das crianças e adolescentes com deficiência, o preconceito de alguns de seus próprios cuidadores e a histórica negligência (inclusive das ciências sociais em geral) em ouvir esse público em bases permanentes”.
Amigos, vale realmente a pena ler. Não é a toa que o estudo se chama Mais Janela que Espelho…
Fonte: www.andi.org.br

As experiências que passamos ao longo da vida compõem o que somos o que pensamos e como agimos. Podemos ter uma experiência de presenciar uma determinada situação – agradável ou não, por exemplo, assistir um atropelamento de uma pessoa, mesmo desconhecida. O fato de ter visto provocou sensações, e opiniões sobre o ocorrido, mesmo sendo uma pessoa desconhecida. Tal experiência irá ficar na memória e nossas reações em função da experiência vivida como, por exemplo, tomar cuidados ao atravessar a rua que não tomava anteriormente, chegar em casa e ter a cautela de sentar com os filhos e orientá-los de forma enfática, devido à situação presenciada no dia. Começar a respeitar a sinalização de pedestres.
As experiências vividas têm uma influência importante porque elas durante o decorrer da nossa vida vão moldando as nossas ações, opiniões, visões, formas de pensar e de ver as pessoas e situações. Cada um tem sua forma de se comunicar, de acordo com as vivências as pessoas têm que fazer adaptações, ou melhor dizendo, mudanças. É indiscutível, portanto, a necessidade de entrevistarmos as pessoas que contratamos e conhecermos suas experiências marcantes de vida.
No caso das pessoas surdas, esta entrevista se reveste da maior importância, pois elas podem reagir de maneira diferente do que imaginávamos, em uma situação, por causa de suas vivências. Um surdo que tenha sido maltratado pelo chefe em um emprego anterior, terá prevenção contra o relacionamento com a chefia. Esta prevenção é mais marcante do que seria com um “ouvinte”, que pode ouvir opiniões sobre o atual chefe e rever sua posição.
Tatiana e eu desenvolvemos um questionário que levanta experiências com base em um conjunto de fatos possíveis na vida de uma pessoa. Vamos falando sobre os fatos com a pessoa e ela vai nos contando que experiência tem naquele âmbito. Isto evita ter que extrair a fórceps a história da vida da pessoa e facilita o diálogo. Com isso, estrutura-se um banco de dados sobre a pessoa e, na ocorrência de um comportamento específico, retoma-se a leitura destes dados e se analisa. Muitas vezes encontramos lá a resposta. Crie também o seu questionário para que, já na entrevista de início de trabalho, tenha clareza sobre estas experiências marcantes e reconheça traços dela nas situações do dia-a-dia. Susana Spago.
Uma história interessante sobre a comunidade Martha´s Vinyard é a da pessoa que observava outra, surda, dormindo, e se deu conta de que, sonhando, a pessoa fazia sinais com as mãos. Conclusão: ah! ela sonha em linguagem de sinais.
Surdos de nascença, que não aprenderam a língua de seu país, e tiveram a felicidade de aprender a linguagem de sinais ainda criança, incorporam sua forma e estrutura no pensamento. No entanto, sonhar é algo do inconsciente. E ali quem opera são as imagens, impressões completas que nos chegam sem dicotomias ou fragmentos, muito plenas de sentido. Daí serem tão importantes os sonhos. Oferecem sentidos que norteiam nossa vida e podem nos explicar questões essenciais.

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