Pessoas têm a maravilhosa dádiva que é ouvir mas não escutam, colocando este fantástico dom a perder. Para “ouvir” os surdos, temos que treinar esta atenção consciente ou perderemos o que ele nos passa em Libras ou de outra forma. Alguns pontos de referência ajudarão você a desenvolver esta atenção cuidadosa ao que o outro nos diz., quer seja ele ouvinte ou surdo.
Olhe a pessoa que fala com você. Parece absurdo mas nem sempre olhamos quem se dirige a nós. Às vezes, estamos manuseando algo, escrevendo, acompanhando um movimento na sala em que estamos, enfim, tudo menos olhar a pessoa que nos fala. Esta é uma premissa de uma pessoa educada e, além disso, é uma forma de conectar-se com o interlocutor. Existe um exercício que realmente nos ajuda a controlar a distração da fala do outro. Quando estiver falando com alguém, em alguns momentos aleatórios, faça-se a pergunta: qual foi a frase que ele(a) falou agora? Você pode pensar que, ao falar isso, você se distrair mas não é verdade. A resposta vem praticamente instantânea. Mas, se você não estiver prestando atenção, o “susto” também é instantâneo. São as reações que o cérebro e a emoção tem perante as ações e reações nossas e do meio externo.
Exemplos podem ajudar a entender melhor. Considere duas situações: uma é do casal que está em meio de uma discussão sobre a relação deles e a esposa pergunta: “Você não se importa que me sinta assim?” e ele, numa tentativa rápida, responde: “Concordo querida”. Bem, o restante da história eu não preciso desenvolver. Outra situação é quando você está falando com uma pessoa e a mesma percebe que a sua atenção não está ali na conversa e pede: “Repete o que falei”. Outra catástrofe: surgem os “famosos gagos súbitos” e outras situações em conseqüência da desatenção que o ouvinte tem para com quem fala.
“Ouça” o jeito de falar da pessoa. A voz diz muito mas primeiro precisamos conhecer o falante: tem voz grossa (impressão de pessoa brava), fala alto (impressão de pessoa alterada), sua fala é lenta e baixa (impressão de desinteresse em falar ou se comunicar), fala rápida (dúvida no assunto que está falando ou pressa para se ver livre daquela conversa), e assim por diante podemos ter vários tipos e interpretações sobre a fala de uma pessoa se não conhecermos a sua forma de ser (personalidade). É óbvio que essa situação acontece com freqüência, quando temos o primeiro contato com a pessoa, porém isso não deveria acontecer no ambiente familiar social ou de trabalho. Ali, além de conhecermos a personalidade da pessoa, a convivência nos dá liberdade de em caso de dúvidas na interpretação perguntarmos sobre a intenção que a pessoa teve. E não é necessário haver confrontos para fazer essas perguntas, é apenas perguntar: “desculpa, não entendi o que você quis dizer” e pede para a pessoa repetir ou falar de outra forma que você entenda o que ela quer dizer.
Faça perguntas. A pergunta é uma dádiva que o ser humano tem para adquirir informações num grau de detalhamento bem profundo. Por isso nós nos perguntamos por que as pessoas não entendem umas às outras?.Por que simplesmente estão sem atenção ao outro e no que o outro tem falado com ele.
Reconheça a falha ou distração. Assumir para alguém, que não estávamos prestando atenção na sua fala, é uma coisa fácil ou confortável de fazer, porém assumir para si mesmo: “Puxa vida!, perdi a atenção, vou tentar retomar” e se apoiar na pergunta: “desculpe não entendi, pode repetir?” às vezes é mais difícil. Esta pergunta pode ser usada como desculpa para retomar a situação de uma forma sutil e educada, porém não se acomode…tente corrigir essa distração e busque compreender por que aquela pessoa não atrai sua atenção.
Ouça a mensagem do corpo. Falamos com a boca, mas o corpo faz a “tradução”. É a nossa “tecla sap”. É como se fosse uma confirmação daquilo que os nossos lábios estão externalizando. Interessante, né!Se pararmos para pensar, quem fala, deveria prestar tanta atenção no que diz, como quem está ouvindo. Mas nem sempre acontece. Imagine que estamos passando uma mensagem num momento de medo, insegurança, ou tristeza, no entanto não queremos revelar tal sentimento, ou mesmo não podemos. É importante, porém, que quem ouve saiba observar, para que não tenha impressões erradas sobre a mensagem.
Acelerando o passo. Muitas pessoas falam que tentar fazer “todas essas coisas” leva muito tempo, tempo este que não se tem. Porém eu pergunto, quando você começou a trabalhar, você consegui fazer as coisas rápido? você precisou se concentrar no assunto que estava aprendendo? Então… melhorar a qualidade da nossa comunicação vai levar o mesmo tempo. Existe um caminho rápido neste aprendizado. Tem a ver com o fato de que nos comunicamos não só com a boca, mas com o coração, raciocínio, pele, olhos. Pois quando usamos mais de um órgão para executar uma tarefa, não sobrecarregamos um órgão só e a quantidade de informações que temos é muito maior. E assim podemos buscar o sentido mais equilibrado daquilo que está sendo dito. Na verdade, o caminho rápido está em iniciar uma comunicação com uma atitude interior de respeito à dignidade do outro. A partir daí, rapidamente acertamos os caminhos da expressão verbal: corpo, olhos, mãos, tom de voz, porque estamos falando em espírito de verdade.
Susana Spago.
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